Planos de ocupação

Definição dos novos usos

E-mail Print
There are no translations available.

O plano diretor determina que os novos usos a serem introduzidos devem contribuir para a sustentabilidade do convento, em termos financeiros e patrimoniais e que,  em nenhuma hipótese, devem alterar as características patrimoniais, incluindo a estrutura física e a área verde. O convento deve continuar a ser residência dos franciscanos e a introdução de qualquer novo uso deve levar este fato em conta, respeitando a maneira franciscana de ser e a ambiência religiosa do complexo, ou seja, as novas funções devem coexistir com a imagem franciscana e com a ambiência particular de um convento.

Os usos existentes no convento atualmente não acontecem com os padrões ideais de conforto, eficiência e habitabilidade.  A realização de eventos, por exemplo,  carece de uma infra-estrutura de suporte apropriada, como banheiros, cozinha e espaços para estoque. A falta de espaços climatizados revela-se como grande obstáculo para que o convento possa cumprir adequadamente a recepção de seminários e reuniões.

O cerne da proposta consiste em otimizar os usos que já existem no convento: a escola de teologia, o espaço para eventos sociais, culturais e empresariais e  a visitação turística. Assim, os espaços destinados à essas atividades serão ampliados e equipados, embora o complexo mantenha a atividade religiosa e conventual. A proposta implica em uma dinamização da dimensão pública que já existe em partes do complexo. A questão essencial do problema reside na otimização/ampliação dessa dimensão pública mas de uma forma que não venha a interferir na privacidade dos frades. Assim, o estabelecimento de barreiras e limites, que criem uma adequada transição entre espaços públicos e privados e que confiram privacidade desejada aos frades, torna-se um elemento essencial do projeto.
 

Áreas e fluxos por pavimento

E-mail Print
There are no translations available.

Partindo destas premissas e objetivos, o plano propõe uma reorganização das áreas e fluxos levando em conta a preferência por intervenções mínimas na estrutura física do complexo.
Térreo

Boa parte dos espaços do pavimento térreo, inclusive parte do terreno no entorno imediato do terraço, será aberto à visitação turística, aos alunos da escola teológica e ao público convidado para os eventos. Dessa forma, vislumbra-se um eixo flexível de espaços que será ocupado de acordo com a demanda em vários períodos do dia. Isto implica em uma reorganização dos fluxos. Os convidados para recepções após casamentos entrariam normalmente pela igreja. O acesso atual continuaria como o acesso principal, exceto para os turistas que teriam à sua disposição uma novo acesso e um novo roteiros. A escada localizada na sala do parlatório, que dá acesso ao primeiro pavimento, será de uso exclusivo dos frades e dos alunos da Escola Teológica. Um elevador, dando acesso aos dois pavimentos superiores, será instalado na atual copa existente no pavimento térreo.

Os espaços destinados à visitação turística  serão ampliados, com o roteiro sendo iniciado pela  Ordem Terceira, onde os visitantes terão acesso à Capela dos Noviços, à Sacristia e à nave da capela de São Roque,  a qual dará acesso à nave da igreja da ordem primeira e ao claustro. Este último será o elemento de distribuição para todos os outros ambientes ao seu redor (Sacristia, Capela de Sant’Anna, e Capela do Capítulo) e ao futuro museu para exposição de peças sacras e exibição de vídeos sobre o complexo franciscano,  que será criado no  lugar da biblioteca do térreo. Ao sair do claustro, por meio do parlatório, os visitantes terão acesso ao terraço e, de lá, ao terreno que receberá um tratamento paisagístico tornando-se um parque. Na saída do conjunto, está previsto um café e uma loja para a venda de souvenirs, publicações e guias turísticos, etc.  Estes serão localizados no local da atual refeitório enquanto que a atual cozinha  terá sua laje retirada, resgatando o antigo pátio que ali existia e que agora serviria para o café.  Sanitários modernos para o público serão também ali implementados.

Fig. 1 Pavimento térreo, novo roteiro de visitação turística
Fig. 1 Pavimento térreo, novo roteiro de visitação turística

Os espaços térreos do convento  possuem um enorme potecial para serem explorados como um espaço de eventos sociais, recepções empresariais,  reuniões científicas e técnicas e seminários. Para tal, devem ser adaptadas partes da estrutura física do conjunto e ampliada a área construída. Nesse sentido, está sendo proposto um novo bloco semi-enterrado contendo uma auditório para 150/200 pessoas, uma cozinha especializada para apoio aos eventos, banheiros, depósitos e lavanderias.  O teto deste novo bloco, que corresponde ao terraço existente entre a sacristia e o terraço principal, constituirá um novo terraço e ofertaria um novo espaço para eventos.  O atual auditório será transformado em uma sala multi-uso devidamente climatizada e aparelhada apra reuniões empresariais e técnicas.

Os eventos sociais como recepções sociais e de casamentos ocorrerá nos dois terraços, o antigo e o novo, liberando assim o claustro dessa sobrecarga. A utilização de um imóvel com estas características para eventos desta natureza implica em algumas restrições em relacão aos horários dos eventos e ao número de convidados.

Primeiro Pavimento

Fig. 2 Pavimento térreo, esquemas de áreas
Fig. 2 Pavimento térreo, esquemas de área

Este andar será destinado prioritariamente ao curso de teologia do Instituto Franciscano de Teologia de Olinda (IFTO). A escola seria assim ampliada e capacitada a prover serviços para um número maior de alunos, em ambientes qualificados para o desempenho das atividades de ensino. Também são previstos  ambientes e instalações para a residência temporária de alunos e professores visitantes. São sugeridas melhorias nas celas da face sudeste (lindeira à rua de São Francisco) para abrigar os novos estudantes residentes. A sala de aula existente no extremo sul do bloco conventual seria ampliada com a retirada de uma parede que divide de uma sala contígua. A biblioteca receberá melhoramentos para ser transformada na principal biblioteca da escola.

Fig 3 Primeiro pavimento, áreas
Fig 3 Primeiro pavimento, áreas

Segundo pavimento

O segundo pavimento será uma área destinada exclusivamente aos frades.  Para prover melhores condições de conforto, propõe-se a instalação de um elevador em uma das celas e a introdução de portas intercomunicando algumas celas de forma a possibilitar a existência de espaços mais amplos paras os frades residentes. As celas que estão servindo como depósito devem sofrer melhorias para servirem aos frades com melhores condições de habitabilidade. Propõe-se ainda a relocação da cozinha existente no térreo para este pavimento, visto que irá servir prioritariamente aos frades. A biblioteca existente neste andar também seria de uso exclusivo dos frades e teria suas estantes reformadas para receber os exemplares mais raros.

Fig 4 Segundo Pavimento, áreas
Fig 4 Segundo Pavimento, áreas


Deve ser viabilizada algum esquema de gestão que possa administrar esses espaços para que venham desempenhar  adequadamente suas novas funções e se converter em uma fonte de recursos para a própria manutenção do conjunto franciscano.

 

O plano de massa e o novo volume

E-mail Print
There are no translations available.

O conjunto franciscano de Olinda foi resultado de um contínuo processo de adaptação, transformação e adição ao longo do tempo. No entanto, observa-se que esse conjunto mantém uma forte unidade e coesão arquitetônica e demonstra uma clara adaptação ao terreno e ao entorno na qual está inserido. Isso é devido ao fato de que o conjunto possuía uma lógica de crescimento que se manteve inalterada: um lento gradual crescimento por meio de alas que saíam dos corpos já existentes e se juntavam posteriormente, como foi visto no caso do claustro e no pátio do bloco conventual. Existia uma concepção integrada entre paisagem, arquitetura, elementos decorativos, materiais e técnicas construtivas que tendeu a desaparecer ao longo do século XX, justamente quando o complexo foi considerado um bem patrimonial (Figura 5). Se existe uma lógica natural de crescimento, pode-se considerar o edifício como algo vivo, capaz de crescer e se adaptar sem comprometer sua integridade. Assim, é perfeitamente justificável que ele receba novas adições e adaptações, desde que estas respeitem a coesão e integridade do conjunto.

De acordo com a legislação vigente, não podem ser construídas novas adições a não ser que estas correspondam às áreas dos anexos existentes (lavanderia, depósito e banheiros). Desta forma, é possível a construção de um novo bloco com uma lâmina de no máximo 366 m2 , que corresponde justamente à area total das anexos acima mencionados que foram construídos desde os anos 50 do século passado e que não contribuíram para coesão do conjunto.

Fig 5 maquete da condição atual do conjunto franciscano
Fig 5 maquete da condição atual do conjunto franciscano

A posição adotada pelo Plano Diretor foi a de construir um novo bloco contendo o auditório para 150/200 pessoas, banheiros para o público visitante, uma cozinha moderna e aparelhada, lavanderia e depósito. O edificio teria dois níveis, com a lâmina com a área acima mencionada (366 m2 ), que seria implantado nas imediações do terraço

Os primeiros estudos cogitaram a possibilidade da construção deste bloco em um nível imediatamente abaixo do terraço da cisterna, aproximadamente no lugar da atual lavanderia ou no lado contíguo do terraço na face leste, esta última desenvolvida em maquete (fig 6 e 7) . O terraço, como visto, detém uma forte aspecto contemplativo e constitui-se em uma dos espaços mais aprazíveis do conjunto. A proposta seria conseguir uma transição suave e natural entre o terraço e o novo bloco.

Fig 6 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa)
Fig 7 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa)
Fig 6 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa) Fig 7 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa)

No entanto, após os estudos volumétricos com maquete, esta alternativa foi descartada devido ao impacto que o bloco causaria no conjunto, na medida em que sua altura revelou-se dissonante das linhas do conjunto. Os problemas de comunicação e circulação entre o novo bloco e o conjunto, visto que teria de comportar uma passagem coberta, revelou-se como um dos fatores mais complicados a serem resolvidos e não atingida uma solução satisfatória.

A proposta final adotada levou o bloco a ocupar área externa junto a ala leste do convento, entre a sacristia e o terraço, onde encontra-se uma plataforma com os atuais banheiros externos. O bloco semi- enterrado ocupará aproximadamente a área desta plataforma com ligeiros avanços sobre o terreno em uma das faces. Como este bloco seria semi-enterrado, o teto do bloco transformar-se-á em um terraço que ofertaria mais um espaço livre para recepções (Fig. 8 e 9). Além de prestar este apoio fundamental aos eventos, este bloco substituirá todas as construções irregulares feitas nas últimas décadas (banheiros, depósito e lavanderia). Esta solução mostrou-se a mais sensata do ponto de vista de contribuir para a manutenção da integridade arquitetônica do complexo.

Alguns conceitos básicos nortearam esta proposta e devem ser seguidos no projeto arquitetônico. Concebeu-se a toda a área externa do complexo não como um terreno natural, mas como uma obra humana, concluída ao longo de séculos, que foi capaz de criar uma topografia que entrelaça terraços, plataformas e volumes em uma unidade de inegável beleza. O novo bloco foi concebido como parte inerente dessa topografia, de acordo com suas principais linhas. Verificou-se que o complexo é formado por volumes de formato retangular que se articulam entre si não obedecendo à ângulos estritamente ortogonais, mas por meio de ligeiras inflexões devido aos condicionantes construtivos e à adaptação à topografia. O novo bloco deve obedecer essses parâmetros de implantação e seguir as linhas de força já presentes na topografia, evitando dessa forma grandes cortes no terreno.

Fig 8 Maquete do conjunto com a alternativa proposta Fig 7 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa)
Fig 8 Maquete do conjunto com a alternativa proposta Fig 9 Maquete com alternativa proposta

Em termos arquitetônicos, o novo projeto deve adotar uma estratégia de discreção de forma a reduzir o impacto da intervenção, mas ao mesmo tempo não deve tentar esconder-se. O novo edifício deve ser autêntico com as meios e condiçõesda época atual e devre mostrar-se como um edifício contemporâneo. Da mesma forma, os volumes, os materiais, detalhes e elementos arquitetônicos devem corresponder à simplicidade e a sinceridade da arquitetura franciscana, ou seja, devem contribuir para a unidade e coesão dos elementos arquitetônicos e espaciais.

O novo bloco, portanto, será semi enterrado e ocupará a plataforma existente na área externa, junto a ala leste do convento, entre a sacristia e o terraço. O acesso a este novo bloco será feito pela arcada que ladeia o terraço da cisterna. Ao deixar esta arcada e a construção do convento, o visitante encontrará a plataforma que corresponde ao teto do auditório. Este espaço seria convertido em um novo terraço, desta vez coberto por grama e cercado por piso em tijoleiras. Logo a frente , um corte no terreno contém uma escada ou rampa suave que leva o transeunte para o nível –1 (foyer, auditório e banheiros). O foyer teria cerca de m2) e deve conter um grande rasgo na fachada abrindo para o jardim. O auditório teria cerca de m2 e seria equipado com as mais modernas instalações para apresentações e seminários.
a inserir plantas e corte

Ao chegar ao nível -1, o visitante, senão adentrar no foyer, pode continuar descendo para área de serviços (lavanderia, depósito e cozinha, com um total de m2) à sua esquerda ou ao jardim continuando em frente. Toda a área do pomar deve receber um tratamento paisagístico adequado. Um novo acesso para automóveis deve ser pensando, inclusive com a provisão de vagas de estacionamento de forma tal que não diminua a área verde. as áreas verdes. Este novo acesso será feito pelo portão existente e deve contemplar acesso a veículos de serviços até o bloco de serviços (nível –2).

 

You are here: Home Planos de ocupação