As características da construção

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O sistema construtivo que o Conjunto Franciscano de Olinda apresenta é coerente com as técnicas e materiais utilizados no período colonial brasileiro – sistema composto por alvenarias estruturais em pedras e tijolos, apoiando uma cobertura em madeira sob telhas cerâmicas (Figura 1.6). Esse sistema étipicamente luso-brasileiro, caracterizado por maciços em pedras ou tijolos, argamassados e revestidos com uma mistura de cal, com areia ou argila. A essa estrutura auto-portante soma-se a adoção de cercaduras em pedras lavradas (cantaria) para marcar os vãos de portas, janelas e arcos. Ao sistema maciço e estático das alvenarias, juntam-se as estruturas flexíveis e articuladas do madeiramento dos pisos acima dos rés-do-chão e das coberturas. Todas as alas do Conjunto Franciscano possuem barroteamento com traves de madeira, que apoiam assoalhos ou forros. Sobre as estruturas de madeira dos assoalhos assentam-se as paredes divisórias em taipa ou estuque (tabique), as quais delimitam as celas dos frades e outros ambientes.


Figura 1.6: Esquema do sistema construtivo
Figura 1.6: Esquema do sistema construtivo

O sistema construtivo das coberturas apresenta dois modelos comuns à colônia luso-brasileira: tesouras e terças de empena a empena. A maioria dos telhados não tem mais a técnica autêntica dos caibros roliços e ripas de embira (trama) e das madeiras lavradas (estrutura), sendo substituída pelo madeiramento serrado, industrializado.As principais técnicas das artes decorativas no Conjunto Franciscano de Olinda estão nos revestimentos das paredes, dos pisos e dos tetos. Existem um formidável patrimônio representados pelos painéis de azulejos existentes na nave (Figura 1.7).


Foto 1.7: Painel de azulejos do claustro Foto 1.8: Tijoleira do claustro
Foto 1.7: Painel de azulejos do claustro Foto 1.8: Tijoleira do claustro

Nos pisos existem dois materiais e técnicas distintas de grande importância para a leitura das épocas dos ambientes: tijoleiras e ladrilhos hidráulicos.No claustro, alpendre do belvedere, corredor da sacristia e capela do capitulo, as tijoleiras de barro cozido de confecção artesanal assinalam, pelo desgaste do tempo, os períodos mais remotos da construção ou as intervenções mais recentes (Figura 1.8). Os ladrilhos hidráulicos estão presentes principalmente na nave e capela-mor da igreja e nas Capelas de São Roque e Santa Ana (Fotos 1.9).

Foto 1.9: Principais tipos de ladrilhos hidráulicos
Foto 1.10: Imagens dos forros do Conjunto

Foto 1.9: Principais tipos de ladrilhos hidráulicos Foto 1.10: Imagens dos forros do Conjunto

Nos tetos dos ambientes, há alguns excelentes exemplos de técnicas construtivas na elaboração de forros em madeira, tais como artesoado, emoldurado, caixotão, tábuas corridas (lisos), com rompantes e roda-teto (cimalha) (Fotos 1.10). Os forros da nave e capela-mor da Ordem Terceira e os da Ordem Primeira e Convento têm técnicas elaboradas na talha e decoração sobre madeira. Os forros guardam suas principais características técnico-construtivas: madeiras lavradas, fixadas com pregos e cravos em ferro forjado.